Pulgas, Pulgas, Pulgas. Para qualquer lado que me vire encontro sempre uma. É à frente, é atrás, é em todo o lado, mas no colo é onde poisam. Perseguem-me. Fujo, escondo-me, mas encontram-me. São pequeninas e saltitam muito, dificilmente as agarro porque não param um minuto. Não há no mundo pulgas como estas, porque são: "As minhas Pulgas".
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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Férias

As minhas Pulgas estão de férias e nem sabem o que fazer. Julgo que querem fazer tudo num só dia.
Senão vejamos: o rapaz deita-se a lastro no sofá, vai à rua dá uns pontapés na bola, joga ténis, anda de bicicleta, sobe vai à cozinha trinca uma maçã, ouve um raspanete porque não tirou a casca nem lavou.
As meninas dedicam-se aos trabalhos manuais. Baixinha vai à rede, abana-se num vai-vem a alta velocidade, sobe vai à cozinha come uma banana, ouve um raspanete porque acabara de trincar uma maçã, desce, dá umas pinceladas no trabalho, sai à rua, senta-se na rede, levanta-se, a outra briga com os irmãos, vai à cesta dos vernizes, escolhe o verniz  vermelho-vivo, ouve um raspanete, escolhe outro, pinta as unhas, senta-se no sofá que entretanto vagou que o mainovo foi apanhar pitangas. A Maiveilha pinta o frasco mas quer que seque rapidinho, vai à casa de banho traz o secador de cabelo, deixa as portas dos armários abertas, ouve um raspanete, sobe, fecha o armário, briga com os irmãos, leva mais um raspanete porque deixou as minhas botas a meio da sala
E hoje é ainda o primeiro dia....

terça-feira, 25 de abril de 2017

Mas diz-me, tu vais a Braga a um almoço?

Perguntava-me a minha neta Baixinha, de nove anos franzindo o sobrolho, olhos arregalados​ e mãos nas ancas a modos que peixeira do Bolhão (sem ofensa), quando lhes disse que na próxima quinta feira vou viajar para me encontrar com amigos que não conheço pessoalmente.
- Não conheces pessoalmente? Nunca os viste? - parou para pensar e remata depois de refazer as ideias. - Espera....Vais encontrar-te com pessoas que não conheces? 
Respondo que sim.
- Não é perigoso? - e aqui está a demonstrar preocupação.

E repetia "vais sozinha a um almoço com pessoas que não conheces".
E abanava a cabeça como a dizer: "eles recomendam para não falarmos com estranhos e depois vão almoçar com estranhos! Não entendo os adultos".

quinta-feira, 6 de abril de 2017

A melhor coisa do mundo é...

Numa conversa muito séria entre avós e netos Pulgas (a saber são três: uma de onze, uma de nove e um rapazinho de quase oito, todos irmãos), a do meio - a Baixinha, (porque está no percentil baixo) disse que não queria ter filhos.
Ora, eu, avó estremosa que teve dois filhos continuei a rebater que "os filhos é o que melhor se pode ter", que "é a continuação da família e que "filhos é a melhor coisa do mundo".
Continuava ela que não queria ter filhos quando crescesse e ripostou:
- Ó, avó, deixa-te disso "a melhor coisa do mundo" é comer batatas fritas.
Pronto, desta não ter bisnetos. Mas vou ter montes de batatas fritas.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Parabéns, que sejas feliz

Faz nove anos que nasceu uma das minhas Pulgas.
Baixinha é a filha do meio e, como todas as filhas do meio é atrevida, desenrascada, refilona quanto basta, sempre com resposta na ponta da língua, com uma piada genuína. Sem medos de assumir.
Dizem ser parecida comigo e isso dá-me um prazer enorme.
O que poderei dizer mais àcerca desta gasguita?
Somente que lhe desejo uma vida repleta de saúde, que se mantenha íntegra nas suas atitudes.
Por isso, parabéns Baixinha que a vida te sorria da mesma forma que tu sorris para a vida.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Coitada de mim!

Quando as Pulgas - os meus três lindos netos...
Esperem, antes de continuar a desenvolver, vou limpar a baba, que já escorre, não quero que caia no écran da minha lambreta (nome carinhoso com o qual eu chamo o meu tablet)
...de 11, 8 e 7 anos, ficam na minha casa, gosto que, ao se levantarem da cama, se dirijam ao meu quarto "cumprimentar a avó", como diz o mê Gugu, mas é mais para saber que já estão de pé pois que cada um tem o seu ritmo e horas de sono.

Hoje uma discussão...
A Maiveilha disse que a Baixinha - a do meio - já estava a ver TV e não tinha ido ao quarto da avó cumprimentar. O Gugu, o Mainovo, mete-se ao baralho e diz que "quando se levantou ela - e aponta para a Baixinha - já não estava na cama".
Para acabar, falo à Maiveilha para que a outra oiça.
- Diz à Baixinha que vai escrever 50 vezes: "quando me levanto devo ir ao quarto cumprimentar​ a avó".
Responde-lhe Baixinha, bem alto para que eu oiça, colocando as mãos em forma de concha na boca:
- Diz à avó que vai escrever 200 vezes: "não dou ordens à neta do meio".

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Pergunta do dia, esta para queijinho...

Imaginem esta cena: avô no sótão da casa; Baixinha - a neta de oito anos - no quintal, por baixo, ele joga o atilho...prontes, o barbante com um gancho na ponta, ela mete o gancho na asa do garrafão, ele puxa um de cada vez os cinco garrafões para guardar no sótão.
Ela coloca a mão na anca assim a modos que peixeira do Bolhão quando termina o trabalho com o avô, e pergunta:
- Avô, para que queres tu essa tralha toda guardada no sótão?!

A bem dizer, só os homens e mulheres do meu tempo é que são gardadeiros (que guardam tudo, como se diz em Câmara de Lobos, zona piscatória da Madeira).
E digo: até um ferro de engomar que já faleceu há três anos está "gardado", não sei se à espera do dia do Juízo Final...
Mas, digam-me, vocês também guardam em vez de deitar no lixo?

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Touca, toupa, touba

A minha Baixinha, a Pulguinha de oito anos, repetia uma palavra que eu não entendia. Perguntou-lhe onde a ouviu e responde que foi na televisão, e que a tinha acabado de ouvir. Mas acentua que eu também a digo muitas vezes. Ponho-me  a pensar que palavra será pois parecia-me toupa, touca, poupa, louca...
De repente vira-se para mim e...
- Tens os aparelhos? - referindo-se aos aparelhos auditivos que uso, ao mesmo tempo que com os dedos indicadores apontava os ouvidos.
Como não percebia, continuou. - quer dizer que tens os aparelhos e não percebes nada do que digo?
Tá visto que mesmo com aparelhos não oiço bem. Afinal a palavra era: tola. E sim uso-a algumas vezes.
A idade, senhores, não perdoa.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Vai dar quase ao mesmo...

Baixinha, a minha neta de oito anos esperta que nem um alho (não sei a razão deste dito, mas também pouco importa para o caso), perguntou-me se tenho o "Cheróme" na lambreta (nome carinhoso com que trato o meu tablet).
"Cheróme"? Não sei quekogo é esse.
Jogo? Qual jogo avó! É para pesquisar...
Pesquisar....cheróme...ah, pois. Era o Chrome.

quinta-feira, 10 de março de 2016

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Divisão de bens

Na rua, enquanto passeávamos, as Pulgas - os meus três lindos netos, decidiam o que queriam ter, a modos que uma divisão de bens em vida, mesmo antes daqui da avó bater as botas ou seja, fechar os olhos para o mundo.
O mê Gugu dizia que o jipe era para ele. A Baixinha escolheu a casa, esta é esperta, a Maiveilha estava indecisa...
Eu, a um determinado momento disse que ainda estava viva e queria saber quem vai cuidar de mim quando fôr velhinha, de fralda, a precisar de ajuda para comer, alguém para me levar a passear na cadeira de rodas...
Nem acabei, Baixinha interrompe e disse logo:
- A mana- e apontava, de dedo bem espetado quase a tocar na irmã, para não haver dúvidas.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Duas gibas é tipo "Areias, o camelo"*

A minha Baixinha, a busica de sete anos, vivaça como só ela, depois de ouvir a mana mais velha pedir uma pen ao avô, para um trabalho de pesquisa, e depois de terem visto várias de vários tamanhos e falado sobre os megas e os baites, diz-me.
-Avó, o avô vai emprestar à mana uma pen grande - e aqui faz com o polegar e indicador o tamanho da dita - mas é de duas "gibas".

* porque em madeirense "giba" é corcunda.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Mas interessa?!

Estávamos na cama, eu entre as duas Pulgas mais velhas: eu a contar a história elas atentas ao romance e começo como todas as histórias começam...
"Era uma vez um princesa que vivia num palácio tão grande e com umas torres tão altas que ela demorava um ano a subir até elas."
Sou interrompida pela Baixinha, a de sete anos, espevitada como uma bimbi à moda antiga, que me diz que falta uma "coisinha".
O quê?, pergunto eu já à procura do detalhe que faltava.
"Não disseste se o ano era comum ou bissexto".

domingo, 8 de novembro de 2015

Não é bem mas é quase

Hoje, no carro, eu e mê senhor nos bancos da frente e logo atrás três Pulgas irrequietas além de atentas ao desenrolar da conversa de adultos.
A Baixinha, a mais mexida, a que mais se parece comigo no humor repentino, nas aluações, mete carta ao baralho dando continuidade ao assunto de adultos. Digo-lhe para imahinar que tem um reposteiro, ou cortina a separar a parte da frente da de trás. E com a mão esquerda imagino que corro o cortinado.
"Mas, ó avó, achas que isto é uma limusine, achas!?
E segue-se a explicação pormenorizada...
Palavra de honra, às vezes, não sei onde vai buscar estas ideias.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Uma bela pança

"Tens aqui uma bela pança", diz Baixinha segurando no meu rolo, vulgo pneu abdominal, entre os dedos e a apertar subindo e descendo.
É caso para uma pessoa que se preparava para ingerir a refeição do dia perder o apetite. Mas eu não o perdi! Com esta frase senti os remorsos a bailar o "Bailhinho da Madeira", sentei-me à mesa com a mão na testa e pensei: "se já o tenho, nada feito, vou mazé contribuir para que se mantenha".

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Abre a porta que eu dou-te um beijo

As minhas Pulgas fêmeas brincavam na porta, uma por dentro a outra por fora, numa porta de vidro transparente.
- Mana, abre a porta, deixa-me entrar - pedia Baixinha que estava na rua.
A Maiveilha, que estava dentro ria e não abria.
-Mana, abre a porta, não estou a brincar e quero entrar. - já de narinas abertas e cara de poucos-amigos. - Abre.
Durante um tempo só se ouvia: "abre a porta"; "abre a porta, mana", e a porta mantinha-se fechada. Uma ria a bandeiras despregadas outra deitava línguas de fogo. Até que...
-Só abro a porta se me deres um beijo - disse a Maiveilha, com o indicador a indicar na face o lugar onde a outra tinha de dar "o beijo".
- Oquei, Mana. Atão, abre a porta! - isto já de sorriso aberto e palmas das mãos para cima e encolher de ombros.
Levou a sua avante. A porta abriu-se e juro estava esperando ver o beijo. Não o vi.

domingo, 28 de junho de 2015

Não te metas com ela. Eu avisei-te

Depois de um pequeno-almoço cheio de cereais, leite, café para os adultos, fruta e, assim que a oportunidade surgiu, vestimo-nos para um leve passeio até à padaria do costume a fim de comprar pão, beber uma bica bem forte e ler as notícias.
À saída de casa a Baixinha alertou que, assim que chegasse à padaria ia comer um pãozinho. O avô fez-lhe ver que já tinha tomado o pequeno-almoço.
"Ora, avô, tu também já tomaste café ao pequeno-almoço e vai tomar mais um."
Por isso, meu-zamigos, com esta há que medir as palavras antes de falar.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Vai dar ao mesmo

Diz a minha Baixinha, a busica de sete anos, espevitada (não sei a quem sai, mas enfim!), que sabe da existência de uma cidade chamada frango.
- "Frango" mana? - pergunta, incrédula, a Maiveilha, com aquele olho verde e sorriso matreiro de quem acha que a outra está a dizer uma barbaridade.
-Sim, mana. Frango. Há uma cidade chamada Frango. - Reforça com convicção.
- Manaaaaaaa, não será Peru?! - diz a outra a ver se por associação...
- Ah, pois mana. É isso mesmo. - abana a saia com as mãos na anca e - Opsss, enganei-me - remata para acabar...

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Pede desculpa à menina (ainda a propósito da palavra: desculpe)

"Aquintrodia" no parque estava eu com as Minhas Pulgas e chega um pai com a sua cria, coisa mailhindinha do mundo mas coisa mais estupidazinha da terra, um inção com quatro anos que faz as delícias do seu dadi. A minha Baixinha queria andar no escorrega lá estava o tampão perdão, a criança coisa linda a obstruir a descida. "Tu és feia" disse ela. Baixinha não estimou a afronta até porque não é feia e veio fazer queixinha à sua avó.
Avó diz à Pulga para não fazer caso até porque " quem chama é que é". Vai o GuGu andar de baloiço vai a peste a correr e tira-lhe o lugar. A coisa ferve cá no corpo da AvoGi e uma brotoeja começa a saltar. A dita continua a chamar feia a torto e direito. Caramba, já chateia e vai avó das Pulgas perguntar ao dadi da criança se pode dar uma palavrinha à sua cria. Abana a cabeça que sim e digo à estuporada pequena, coisa mailindinna do universo se acha a Baixinha feia? E depois faço a lição de moral enquanto o dadi continua a resolver os negócios por telemóvel.
Quer saber o que foi, conto-lhe que a minha neta já chora devido à insistencia da menina em chamar feia. Pois, a culpa é da escola, diz ele. Caíu-me o queixo ao ouvir isto.
"Pede desculpa à menina. Não ouves? Pede desculpa à menina". Moita, boca fechada e não sai nada.
"Deixe lá...não faz mal mas que não se repita", digo.
À saída do parque o dadi olha para mim quando passo por ele e com olhos melosos diz-me: "desculpe" com um leve encolher de ombros.
Respondo: " quem tem de pedir desculpa é a sua filha e não o senhor". E anda pá frente, AvoGi c 'atrás vem gente... E com gente deste calibre mais vale não falar.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

E não bati!

Hoje precisei de conduzir até ao colégio das Pulgas. Assim que me viram com o guiador nas mãos começaram as perguntas, uma vez que é muito raro eu pegar no carro, também não posso com ele mas, adiante.
De certeza que sabes conduzir? Diz a Maiveilha. Nunca te vi nesse lugar (no do piloto, claro), diz o mê Gu-Gu. Avó, sabes o que tens de fazer? Diz a Baixinha. E mais umas...
Irra, cambada de Pulgas que me deixam nervosa e com o sentido da responsabilidade mais aguçado.
Mas a pior frase foi dita, a cantar, ainda por cima, pela busica do meio que, como digo, tem humor para dar e vender.
Minha avó vai conduzir, vamos ver se chega ao fim sem bater com o carro...tri lo li... tri lo li...tri lo li...